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Eritreia baniu igrejas há 20 anos, mas cristianismo continua crescendo


O governo da Eritreia está sendo pressionado a conceder plena liberdade religiosa após 20 anos de uma intensa perseguição estatal que resultou em igrejas fechadas e cristãos presos ou forçados a fugir de suas casas.

Em maio de 2002 o estado da Eritreia baniu todas as religiões, exceto o islamismo sunita e as igrejas ortodoxa, católica romana e luterana da Eritreia. A repressão resultou no fechamento forçado da maioria das igrejas do país, e mesmo as igrejas registradas passaram a sofrer um rígido controle estatal.

Desde então, os cristãos que cultuam em igrejas proibidas, principalmente evangélicas e pentecostais, têm sido considerados inimigos do Estado. O Dr. Berhane Asmelash, um cristão eritreu e parceiro da entidade Release International definiu a Eritreia “como uma prisão gigante”.

“O país está cheio de prisões. É como a Coreia do Norte”, declarou Berhane, segundo informações do portal Christian Today.

Estimativas apontam que pelo menos 220 cristãos estão atrás das grades na Eritreia – muitos deles acredita-se serem pentecostais ou evangélicos. A entidade Release International – que oferece suporte a cristãos perseguidos em todo o mundo – disse que em muitos casos, os cristãos são presos indefinidamente e mantidos sem acusação em locais secretos.

Alguns sofreram torturas brutais, incluindo serem amarrados e pendurados em árvores, com uma forma de enforcamento apelidada de ‘Jesus Cristo’ porque parece um crucifixo.

Outros foram mantidos em condições horríveis em contêineres, experiência vivida por uma cristã tratada pelo pseudônimo de Elsa, que omite seu real nome por motivos de segurança.

Ela declarou que autoridades oferecem a liberdade em troca de negar a Cristo: “Fomos mantidos em celas subterrâneas. Às vezes os guardas nos colocavam em um contêiner de metal para nos torturar. Não houve tratamento médico”, disse. “Os guardas se ofereceram para nos deixar ir, mas apenas se renunciássemos à nossa fé em Jesus. Dissemos que não”.

“Uma noite fomos levados para o mato, e eu sabia que seríamos espancados. Eles iriam nos infligir o máximo de dor que pudessem. […] Nunca vou esquecer os gritos da minha irmã. Nunca mais a vi”, lamentou.

Outro cristão chamado Dawit, cujo nome também foi alterado pelos mesmos motivos, contou que ainda sente dores nas costas por ter as pernas dobradas para trás e amarradas aos pulsos: “Fui preso por causa da minha fé cristã. Toda noite eu tinha que dormir no chão com meus braços e pés amarrados firmemente, eles chamavam de número 8”.

O Estado repressivo viu cerca de meio milhão de pessoas fugirem do país, segundo a ONU, mas as duras condições não conseguiram reprimir o cristianismo: “No entanto, o cristianismo continuou a crescer na Eritreia. Os cristãos são o grupo mais perseguido. É porque eles não param de se reunir e não param de adorar. Está além do controle do governo”, afirmou Berhane.

Na visão dele, a perseguição em seu país é motivada pelo desejo de controle total sobre o povo: “Religião é poder. Cada vila tem uma igreja. A igreja é o centro da comunidade. Remova a igreja e a comunidade ficará sem líderes. Os eritreus acreditam que, se matarem os sacerdotes e líderes, podem facilmente manipular as pessoas. Então, onde quer que eles vão, se eles virem um padre, eles o matarão”.





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